A primeira semana de janeiro foi incomum, porque faltavam apenas sete dias para a prova que eu mais estudei; eu estava tão estranhamente focada em apreender o máximo de conhecimento possível que nem me lembrava do vestibular. A única coisa que não me atrevi a fazer foram os testes dos anos anteriores; iria pra prova sem conhecê-la, porque eu começava a pensar remotamente que 'a ignorância às vezes é uma bênção'. E então, após ter a sensação de viver várias vidas e chegar ao ponto final, era sábado, a véspera. Passei a acordar às 5:30 por aquele pedaço de semana e a ver o sol nascer da janela do carro. Era anormal, mas eu não estava nervosa nos primeiros dois dias de prova - ao menos não do jeito que eu pensava que estaria - ; no entanto, no terceiro dia, o estômago dava voltas e o pé andava pro lado contrário ao pensamento. Foi assim no 4° também, mas apenas antes de ver as questões de matemática: quase tive um ataque de riso (não porque elas fossem fáceis, mas porque eu sabia fazê-las). Depois disso, Festa das Tintas - já deixei fotos por aqui.
Seriam os dez/nove dias mais aterrorizantes da vida de um vestibulando: esperar a lista de aprovados. Eu já havia corrigido as provas em casa, mas as notas pareciam me deixar exatamente na linha tênue entre sim e não. Não havia jeito ou maneira que me desprendesse daquela sexta-feira 20 (mesmo o meu pai dizendo que eu ficaria paranoica). A propósito, para quebrar o ritmo da história, eu já havia feito minha matrícula na UFCSPA para Biomedicina dia 19 como plano B - este que era 'tão certo quanto a água que corre para o rio'. Acontece que alguém pode retirar a água no caminho com um balde, essas coisas. E chega sexta à tarde. O listão sairia às 16:30, mas muitas pessoas já comemoravam antes as aprovações por um erro técnico no site, que divulgou por alguns instantes a relação de nomes. Pontualmente, a página na internet parecia ter escapulido devido à sobrecarga de acessos. Alguns segundos depois eu li uma coisa que eu só poderia acreditar muito lá no fundo: 'PASSOU!'. E logo uma outra janela de conversação aparecia trazendo: 'Parabéns Laura, tu passou em medicina pro 2° semestre!'. Foi um misto de sentimentos que não têm igual. Em alguns segundos em vi o listão e meu nome lá, como tinham dito; senti tudo de novo, sem tirar nem pôr. Logo o meu pai já sabia e muitas pessoas ligavam para cumprimentar. Já nem sei direito o que aconteceu.
Meu pai disse: 'Se apronta que nós vamos pra UFRGS ver o listão!'. Lá fomos nós matar a nossa descrença. Acontece que é tão estranho que os planos que não estávamos de fato planejando se tornem reais que isso bagunça o senso de razão. O dedo percorreu ansioso o papel e lá estava o nome; era de verdade.
Quero agradecer às pessoas maravilhosas, meus anjos, que fizeram parte dessa conquista. Eu jamais conseguiria sem o esforço do meu pai, o incentivo da família e o apoio incondicional dos amigos. Um OBRIGADA! gigante a todos vocês, acompanhado de um abraço apertado, de quebrar as costelas.
Agradeço também Àquele que motiva tudo e que não me deixa desacreditar jamais, cuidando de cada detalhe lá de cima. Nada seria possível sem a frase mágica que eu lembrava todos os dias: 'Não tenhas medo, pois eu estou aqui'♪.Claro, lembrando epígrafes, devo honrar também o grito de guerra infalível, 'EU VOU PASSAR!', do Paulo Ricardo, que ressoava frente às questões difíceis. E assim, um obrigada especial aos professores desde o pré ao cursinho. Eles que ensinaram valores e vida além de conteúdo científico e que põem muito amor no que fazem para que seja feito tão bem. A melhor palavra é de vocês com todas as letras: M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O-S.
Então, aqui vai uma foto do meu pai-babão, que faz questão de contar até para os desconhecidos no estádio de futebol que eu passei na UFRGS - haha.
De fato, não é assim simples uma façanha dessas, passar em medicina na federal no primeiro ano de vestibular e saindo direto do ensino médio. Isso porque eu vi milhares - sim, comprovadas em números - de pessoas talvez mais experientes, com anos de cursinho e muitas convicções. Acho que outra coisa que me motivou foi a seguinte frase: 'Não sabendo que era impossível, foi lá e fez'. Não sei corretamente a autoria ou mesmo a versão correta, mas o que importa é que existe a tal frase. Na verdade, eu não fiz apenas por mim aquelas provas, mas também por todas as pessoas maravilhosas que eu amo tanto. Nossa vida é cheia de propósitos e essas coisas, só é preciso achar uma pedra angular forte na qual apoiá-los e 'mover o mundo', como disse um certo grego por aí.
Merece muito mais. E que nas entrelinhas dessa faixa leia-se: ORGULHO DA DINDA BABONA!
ResponderExcluirObrigada dinda *-*
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