domingo, 29 de julho de 2012

'É dor que desatina sem doer' ♪

"É esquisito ter lembranças de coisas que ainda não aconteceram[..]"
Chico Buarque

Ao som do meu poeta, descanso. Recupero as forças que foram deixadas pelo caminho em sorrisos e que foram agradecidas com acenos.
Escrevo porque as mãos têm sede das palavras e de uma conversa como há muito tempo. Escrevo porque o correio nem sempre chega na hora e a telepatia atrasa, porque tenho cinco minutos que ficarão em aberto hoje.
Tenho frases curtas. Sem justificativa. Talvez seja a paciência, mas tenho paciência; talvez seja o frio, mas o dia foi ensolarado hoje. Mais uma vez (Eu sei ) não sei.
Concluí ontem à noite a leitura de Leite Derramado, obra de Chico Buarque. No livro, o narrador-personagem no final de sua vida remonta as memórias e nos apresenta a decadência que guiou gerações de sua família - do avô que frequentava o palácio do Imperador ao neto comunista, e talvez tantos outros - . É uma aventura embarcar na mente do personagem e viajar pela história do Brasil através da brisa do mar nas praias cariocas e do som da televisão na casa de repouso. Iniciei no mesmo dia a leitura de Odes de Ricardo Reis, outro heterônimo de Fernando Pessoa. Sigo feliz com meu lirismo.
Vou escrever um pouco no papel agora, porque não sei para onde ir. Então imagino lembranças de coisas que ainda não aconteceram.
Boa noite, anjos. Bons sonhos.

"Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida."
Leite Derramado, pg 184

quarta-feira, 25 de julho de 2012

I can't hide, I can't hide, I can't hide ♪

"Tempo é uma coisa engraçada. Estamos sempre pensando nas coisas que devemos ou queremos fazer, ou pensando nisto ou naquilo que aconteceu há certo tempo e, quando nos damos conta, ele já passou por nós, deixando lembranças e aprendizado."
Rachel Esteves Soeiro, Diário de Bordo, Parte 8 - Guidam Roumdji, 9 de janeiro de 2012


O tempo é de fato engraçado... Prega peças na gente, primeiro porque ele parece existir só mesmo nas nossas mentes. Um dos maiores desejos do homem é poder viajar completamente - não apenas na imaginação - entre o passado e o futuro. Entretanto, alguém me explica, por favor (Enquanto a vida vai e vem ♪), o que é esse espaço limite entre uma série de reações? Nossos ancestrais o mediam de acordo com o sol ou com as necessidades fisiológicas, e nós aprendemos a compassá-lo nas batidas de uma máquina que se chamou relógio.
Três anos, três minutos, três segundos... Três pontos. Quem diria que as ações nesse tal tempo pudessem ser tão importantes. É o necessário pra sentir falta, conhecer a saudade e o querer bem, subir e descer escadas, ter ideias, correr maratonas e de repente acabar, parar no tempo. Queremos viver pra sempre, postergamos a respiração até não aguentar mais o instante, mas muitas vezes nos esquecemos de entregar a vida a todo momento a coisas que valem a pena - a pena, o corante, o tinteiro por completo -. Acontece que é fácil esquecer que, no final, o tempo está no pensamento.´
Difícil é quando parecem haver tantas certezas. E quando, de repente, após fechar os olhos e mesmo assim ver, algumas ainda continuam ali e incomodam de tanto se redobrarem em si mesmas.

Boa noite, meus anjos. Vocês são sempre minhas certezas. Bons sonhos.


sexta-feira, 20 de julho de 2012

'Hello, is there anybody in there?' ♪

Então... Quase todo mundo em alguma fase da vida já ouviu falar do siso, o chamado dente do juízo. Para quem não está devidamente informado, nós temos quatro dessas pequenas belezas na boca - excetuando os evoluídos de '28 dentes', haha -, e eventualmente elas podem causar problemas futuros. Portanto, muita gente decide se livrar deles optando pela extração - ainda não conheci outros métodos, mas, enfim, podem existir. Como em breve começarão minhas aulas na faculdade, e esses dentes já estavam me trazendo contratempos, há algumas semanas decidi que era hora de mandá-los embora. Na terça-feira, tudo combinado, eu daria tchau aos quatro 'juízos' de uma vez só.
Já na cadeira do dentista, não havia mais escolha ou tempo pra desistir - quem foi que disse que nunca é tarde demais pra voltar atrás? - : era a hora. Logo eu, que nunca tinha levado anestesia, ponto, que nunca tive nem mesmo uma cárie, estava ali, esperando para ter quatro dentes arrancados: só poderia ser uma falta de sorte tremenda. As agulhas começaram a invadir as bochecas até chegar no céu.. da boca. Não era tão ruim... Aos poucos eu começava a me afeiçoar a essas substâncias mágicas que inibem a sensação de dor, até que o profissional começou a puxar o primeiro dente.
Não digo que foi uma das piores experiências - acho que a anestesia cuidou também de mascarar as lembranças ruins -, mas foi no mínimo estranho. Aprendi o que é sentir algo sendo arrancado de maneira indolor, mas irremediavelmente sentir.
Acontece que sorte dificilmente vem sozinha. Era decidido eu teria também a primeira queda de pressão da qual eu me daria conta. Os nove comprimidos que estava tomando por dia exigiam que o corpo estivesse relativamente forte para metabolizá-los, mas é mais difícil se manter inteira apenas com líquidos. Por conta disso, na quinta de manhã eu enxerguei luzes brancas na minha frente, e elas não vinham de nenhum lugar que eu conhecia. Só sei que era confortável. Experimentei a cegueira branca e uma perda de sentido nos membros, mas logo me dei conta do que estava acontecendo: era a hora de acordar com um pouco de sal. Passou.
Todo dia quando acordo, o primeiro reflexo é colocar as mãos no rosto e imaginar que ele recuperou a simetria. No entanto, basta olhar pro espelho e constatar que tudo continua no lugar, inchado de um lado - e do outro também. Alguém me contou que em uma semana ou mais vai passar... Faria de novo? Claro! Nem que fosse só pra ter história pra contar...

Sem dúvidas eu não poderia deixar esse dia em branco, assim como as luzes. Feliz dia do amigo a vocês, meus anjos! Vocês que têm corações sinceros, abraços cheios de carinho, palavras certas, sorrisos espontâneos, olhares que materializam confiança, presenças que alegram sempre... E não teria palavras, como sempre, para adjetivar o quão importante vocês são. Obrigada por tudo.

Boa noite, anjos. Bons sonhos.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

I want to feel sunlight on my face ♪

Parece que faz muito tempo que não escrevo, que não paro para uma retrospectiva, que faço planos ao acaso e na intensidade dos dias. Hoje, ao som de U2, resolvi brincar com as palavras um pouco. Eu já sentia falta disso.
Nas últimas semanas, terminei de ler a edição de Sonetos, de Camões, e recomecei a ler Leite Derramado, de Chico Buarque. Gostei bastante das poesias, e foi bom abrir uma pausa para os líricos na minha mesa de cabeceira. A poesia ritmada de Camões é bastante interessante, e reaprendi, em parte, a buscar um sentido a mais nas frases do poeta. Já sobre Leite Derramado, é um livro que tentei ler em outra ocasião nesse ano, mas que não consegui ultrapassar as 50 páginas. Dessa vez, no entanto, estou apreciando as memórias confusas que os capítulos trazem em forma de romance, e em breve terei novos pareceres sobre elas.
Dia 6 de agosto é a data oficial para o início das aulas do segundo semestre na UFRGS, e espero sinceramente que elas comecem na data prevista - há certos rumores de greve que estão em uma perigosa indefinição -. O certo mesmo é que, após tanto tempo de férias, já estou um pouco cansada da falta de rotina - ou da nova rotina - e de ver as paredes da casa com a tinta descascando. Sinto falta do novo, do que me espera e me desafia. No entanto, vou ter saudade também de pôr lenha no fogão nas manhãs de inverno, de lavar a louça e a roupa, de varrer a casa e de arrumar as camas todos os dias. Terei de interromper meu treinamento como dona de casa por um tempo, e confesso que estava quase me acostumando. Após as provas do vestibular, uma das minhas melhores diversões era dobrar os edredons e esticar os lençóis, e lembro que eu senti um prazer especial em fazer essas coisas com calma. Acontece que às vezes é necessário abrir mão de certos pequenos prazeres para alçar voos maiores. Não vou me arrepender.
Boa noite, anjos. Bons sonhos.