Chico Buarque
Ao som do meu poeta, descanso. Recupero as forças que foram deixadas pelo caminho em sorrisos e que foram agradecidas com acenos.
Escrevo porque as mãos têm sede das palavras e de uma conversa como há muito tempo. Escrevo porque o correio nem sempre chega na hora e a telepatia atrasa, porque tenho cinco minutos que ficarão em aberto hoje.
Tenho frases curtas. Sem justificativa. Talvez seja a paciência, mas tenho paciência; talvez seja o frio, mas o dia foi ensolarado hoje. Mais uma vez (Eu sei ♪) não sei.
Concluí ontem à noite a leitura de Leite Derramado, obra de Chico Buarque. No livro, o narrador-personagem no final de sua vida remonta as memórias e nos apresenta a decadência que guiou gerações de sua família - do avô que frequentava o palácio do Imperador ao neto comunista, e talvez tantos outros - . É uma aventura embarcar na mente do personagem e viajar pela história do Brasil através da brisa do mar nas praias cariocas e do som da televisão na casa de repouso. Iniciei no mesmo dia a leitura de Odes de Ricardo Reis, outro heterônimo de Fernando Pessoa. Sigo feliz com meu lirismo.
Vou escrever um pouco no papel agora, porque não sei para onde ir. Então imagino lembranças de coisas que ainda não aconteceram.
Boa noite, anjos. Bons sonhos.
"Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida."
Leite Derramado, pg 184
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