sábado, 31 de dezembro de 2016

"Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu..." ♪

"É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações" 
Trem-Bala - Ana Vilela

2016 está terminando, e de repente tenho tantos sentimentos pra dividir que preciso das palavras pra estender a alma. Que ano!

Há pouco mais de seis meses comecei o internato na faculdade de medicina e assim tenho aprendido cada dia mais sobre as doenças e sobre os tratamentos, mas também sobre a vida e sobre as pessoas, inclusive sobre mim mesma. Passo mais tempo no hospital do que em casa, e nesses meses tenho visto tanto sobre o limite da vida, nem sempre com final feliz.

Acompanhei pacientes em UTI, e diante de alguns deles questionei até que ponto chegaríamos pra sustentar o coração batendo. Estávamos tentando salvar ou sendo egoístas e fazendo sofrer? Até que ponto mais um cateter e uma bomba de infusão curariam? Apesar desse ambiente de cuidado intensivo que parece hostil visto de fora, vi o amor daqueles que cuidam, e quis aprender esse amor também também. Vi que a gente precisa ser fonte de esperança e de alegria aí.
Na emergência, dei notícias que ninguém gostaria de dar e ouvi perguntas que me deixaram muda e desconcertada. Vi a vida acabar de repente, na meia idade, e amparei; nesse dia, toquei as mãos de Cristo que sofria com aquele que morria e então eu percebi onde Ele estava todo tempo. Amparei aqueles que não sabiam nem o nome do doente, mas que estavam no leito do lado e se defrontaram com a morte que nem de perto conheciam. Eu quis dizer que aquilo era novo pra mim também, mas não disse.
Mais que os limites do corpo, conheci algumas fugas da mente. Ouvi aquelas que não queriam mais existir e aquelas que queriam ser tão boas que não conseguiam se ver mais com clareza. Ajudei a fazer planos de uma vida diferente e ajudei a cultivar sonhos. Vi que a gente precisa ser mais compreensivo e ouvir mais. Comecei a aprender a examinar a alma.
Acompanhei homens que cometeram crimes que eu não sabia a gravidade, mas que eram humanos e precisavam de cuidado assim como qualquer um precisa. Conheci crianças que potencialmente tinha cometido crimes parecidos. Percebi a violência que percorria a cidade e tive medo, mas não podia deixar de apreciar cada rua com seus ipê coloridos florindo naquele setembro. Lembrei de Quintana, um amante de Porto Alegre.
Passei dias e noites no hospital. Pela primeira vez vi uma mãe perder um filho de perto, e depois de oferecer todos os recursos médicos possíveis e até os que não estavam disponíveis, ofereci meus braços pra conforto. Vi as coisas indo mal e cada vez pior. Lembro de cada tracinho da história, e como doeu. Como foi difícil. Amadureci nesses dias como nunca antes. Nasceu aí uma vontade de ser médica que eu ainda não tinha descobrido igual, e passei a amar mais aquilo que antes eu admirava. Fiquei grata ao fim do mês, como outras vezes fora, pelo carinho que recebi de tantas pessoas e pelos profissionais dedicados que conheci. No meio de tempestades, como é bom trabalhar ao lado de amigos.
Aprendi a conhecer a vida como ela é e a não tratar doenças, mas pacientes. Entendi que a gente precisa fazer cada instante valer a pena pra poder olhar pra trás e ficar feliz: perdoar mais, amar mais. Vi o limite da vida e os medos que ele traz. Vi a vida no seu limite.
Vivi mais da cardiologia e me comprometi em aprender. Vi casos graves em que não tinha recursos pra oferecer e me senti incapaz. Vi casos graves em que foi usado todo recurso que se tinha, e assim um coração voltou a bater pra dar nova vida a um sorriso e a uma família; fiquei encantada por ver isso acontecer de perto. Pude estar onde queria e tive vontade de ter muito mais de tudo isso.
Nesse mês e ainda nessa noite venho refletindo muito sobre uma frase do professor Mario Rigatto sobre o médico: "Sempre me pareceu difícil reunir, num mesmo indivíduo, tão nobre textura e tão rude couraça". Parece que é assim mesmo.

2016 termina com muitos sentimentos, com muito aprendizado, com mais amor pela medicina e pelo cuidado, com imenso carinho pelas pessoas queridas que animam a jornada, com mais vontade de viver e de ser mensageira de esperança e de felicidade. Que o próximo ano seja de mais, muito mais!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Diagnóstico

Todo aquele que aprendeu a ler e escrever tem vontade, desejo de escrever. Desejo de colocar no papel seu sentimento, guardar para que chegue a outro alguém, perdido por aí.

Estou no quinto ano, faculdade de medicina. Sexta-feira, primeiro dia no estágio da emergência. Emergência lotada, com quatro vezes a capacidade de pacientes, mas com os mesmo recursos (espaço pra macas, equipe de enfermagem e médicos, material). Dividimos os pacientes pela lista, sabendo apenas o nome e poucos dados clínicos: uma senhorinha e outra senhora mais jovem. Atenção na senhorinha por um minuto. Inicio a revisão de prontuário, e vejo que estava há alguns dias internada. Pesquiso os exames. Biópsia hepática. Resultado liberado hoje. Ainda não comunicado. É câncer.
Eu, que a conheci naquele dia, seria uma das portadoras da notícia que não é agradável pra quem recebe nem pra quem comunica. Começamos assim. À tarde fomos falar, o plantonista e eu. A senhorinha, estatura baixa, pele parda-amarelada, ictérica, de olhos pequeninhos, semblante tranquilo, acompanhada da filha. Enquanto o médico desfiava as palavras, os olhos da filha viravam poço de água limpa e abundante, enquanto a senhorinha cerrava os lábios e continha as lágrimas que queriam vir. Eu queria mesmo era poder dar notícia melhor e mais feliz. Queria anunciar vida, cura e alívio. De repente estava ali, anunciando sentença. "Como tu te sentiu dando essa notícia?". Penso um pouco em tudo que senti, e vem uma palavra: "Triste". "Que bom. Muita gente endurece o coração e não consegue nem se sentir triste mais", disse o médico.
Passam os dias e segue o manejo sintomático, porque o tratamento seria planejado em consultas de rotina. "Então tá bem, volto mais tarde pra lhe ver". Viro as costas e me afasto devagar. Percebo que alguém me segue. "Vou aproveitar pra ir ao banheiro... Moça, moça! Eu queria saber uma coisa. Pode ser incurável? Quanto tempo a minha avó tem de vida?". Eu queria te contar a imensidão de coisas que pode ser. Eu queria dizer que o prognóstico é bom, que o tratamento é leve e fácil. Não era. Só tínhamos parte dos exames pro estadiamento, o que não era o suficiente para planejar nada. Ninguém merecia receber qualquer diagnóstico naquele lugar. Pelo menos, que tivesse carinho e atenção de quem cuida. Fui ao refeitório, e o café parecia não descer bem. Tinha alguma coisa na garganta. Acho que era um nó.
"Só vamos dar alta quando a senhora se sentir bem, e vamos enfrentar isso juntos". Nos próximos dias, incluindo o final de semana de plantão, apresentava face alegre e pouco preocupada. "Comeu bem?". "Sim, comi! Enjoei um pouco depois, mas aí sim me senti muito bem". "A senhora está pronta pra ter alta? Tranquila?". "Sim". "Então estou tranquila também."

Senhorinha, traços indígenas, olhos pequenos, baixinha, algo ictérica, resiliente, bem disposta. Obrigada por ser tão boa professora nessa vida.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Hoje os ventos do destino começaram a soprar, nosso tempo de menino foi ficando para trás ♪

"Não precisamos de gurus especiais ou conselheiros para crescer. Há mestres sob todas as formas e disfarces. Crianças, os doentes terminais, uma faxineira. Nenhuma teoria ou ciência do mundo ajuda tanto uma pessoa quanto um outro ser humano que não tem medo de abrir o coração para seu semelhante."
Elizabeth Kuebler-Ross

Há muito tempo não apareço por aqui. Sei disso. Talvez tenha sido a pressa ou mesmo a falta de vontade que tenha me deixado afastada. É preciso ser sincera. Mas como tenho dito, todo ser humano tem vontade - ou mesmo necessidade - de escrever.
Nesses últimos dois anos aconteceram coisas demais, e não voltei pra recapitular tudo. Foi tempo de aprendizado, crescimento, cultivo de amizades, da família e da fé. Esse último ano, em especial.
Na faculdade, iniciei o ciclo clínico, onde passamos a ter mais contato com pacientes. No primeiro semestre do ano, a matéria de semiologia, onde víamos as pessoas como em fotos. Na maioria das vezes conversávamos, examinávamos, discutíamos o caso e aí terminava. Raras vezes - não lembro, na verdade, de nenhuma - voltamos pra ver como o paciente evoluiu. Porque as exigências que tínhamos eram essas. Então veio a disciplina de clínica.
O que antes era uma fotografia tornou-se um filme, e, além de acompanhar a evolução dos pacientes, acabamos nos envolvendo nos casos e podíamos de fato opinar e algumas vezes provocar alguma mudança na conduta a ser tomada. Nesse caso, a responsabilidade se tornou muito maior. Encontrei muitas histórias e muitos sentimentos, e me deparei com a morte e a terminalidade muito mais vezes do que imaginava, ou do que esperava, ou do que quisesse. Não é fácil. E talvez esse seja um dos principais motivos para eu ter voltado a escrever. Sejamos sinceros.
Por mais que saibamos que esse é nosso destino certo, a pessoa e a família dificilmente estão preparadas pra a terminalidade, e muitas vezes os profissionais que atendem o paciente também não. O processo de preparar-se é bem particular, tem duração e cota de sofrimento variáveis. Nos últimos meses, pude acompanhar diversas fases dessa jornada, e encontrei algumas daquelas nomeadas por Elizabeth Kuebler-Ross: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Além de acompanhar, pude identificar em mim as mesmas fases e a contratransferência que elas geraram. Escrevo porque há muito a aprender sobre a morte e o morrer, assim como sobre minhas limitações e desejos de crescer. Como diz uma frase que por alguns atribuída a Hipócrates: "Se puder curar, cura. Se não puder curar, aliviar. Se não puder aliviar, consola.".
Acho que era isso o que eu precisava compartilhar e sobre o que fiz vários rascunhos nos últimos meses. Faz parte do processo compreender e aceitar a própria finitude, e isso provoca urgência de viver e de ser melhor, mais justa, alegre, solidária, compreensiva, carinhosa, paciente. É um crescimento que dói, mas que nos ensina a ser mais fortes, delicados e simples, e a estar mais perto do próximo e de Deus.
Que 2015 seja um ano de muito aprendizado, fé, amor e simplicidade. Que eu possa ter caminhando ao meu lado os anjos que me acompanharam nas últimas jornadas, seja os que eu via todos os dias ou aqueles com quem trocava mensagens de texto quando o coração apertava de saudade.
Boa noite, anjos. Pra vocês, os sonhos mais doces que se pode sonhar.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

"Um pedaço de nós é sempre coerente, por mais tempo que faça e por mais longe que esteja."

Eu desvio, vou pelas bordas, moldo com cuidado as palavras.
Não apareço por aqui há muito tempo, então é de se esperar que a escrita esteja um pouco enferrujada. Mas por que voltei? Então, um pedaço de nós é sempre coerente, por mais tempo que faça e por mais longe que esteja.
Quase um ano, e senti falta de escrever antes de dormir pra contar sobre o dia, a faculdade, a falta de tempo que me roubou muitas coisas e que me trouxe a urgência, pelo menos aqui dentro, de não deixar nada pra trás. Fui cultivando a vontade de falar, de abraçar, de perguntar como vai tudo (mesmo através de um recado breve ou d'uma pergunta que pareça repetida), de viver cada momento do melhor modo possível.
Escrevi vários rascunhos nesse tempo, e também apaguei vários deles. Alguns quase vieram para cá, mas certas coisas vieram a palavras só para garantir que ainda estavam ali, pra organizar o pensamento e acalmar quando o telefone estava mudo.
Os últimos meses estão sendo de muito trabalho, de crescimento, de decisão. Para não se perder demais no caminho, é interessante saber onde se quer chegar. A faculdade é um ponto importante nisso tudo. Esses dias ouvi uma frase que não me recordo muito bem, mas que é mais ou menos assim: 'Fazer medicina é voltar pra cada todo dia uma pessoa diferente'. É tão simples, e tão verdade. Há muitas coisas que, por mais livros que sejam lidos, não se entende. São coisas que só é possível sentir.
Nesse espaço cabe outra citação da qual gosto muito: 'Nada feito com amor é pequeno'. Concordo com a frase e ainda acrescento que qualquer tarefa é mais leve quando feita com amor. Muitas vezes reclamo por acordar tão cedo para ir à faculdade, por almoçar um salgado enquanto caminho para a próxima aula ou por voltar pra cada no trem cheio. Mas cada fim de tarde, invariavelmente, eu me pego pensando que vale a pena, que 'tudo vale a pena se a alma não é pequena', e que há sempre um espacinho pro coração aumentar e pra amar ainda mais, até o que não soa muito bem no meu dia.
Falar assim já basta, só um pouquinho. Talvez eu recobre o hábito de escrever, talvez fique só no pensamento. A vontade, entretanto, há sempre. Percebo isso porque queria continuar, contar sobre as músicas que mais tocam nos meus pensamentos, os livros que eu gostaria de ler e os filmes aos quais consegui assistir no feriado.
Um abraço para os meus anjos, aos quais se somaram ainda novos nos últimos tempos. Eu queria ser mais anjo pra vocês também, mais presente e menos apressada. Outra coisa que preciso rascunhar bastante até que saia bem.
Bons sonhos ;)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

'But I set fire to the rain' ♪

Parece que faz tanto tempo; parece que o trem das 11hs passou e levou tudo embora (Os trilhos do destino cruzando entre nós/ Pela vida, trazendo o novo ♪).
Há algumas semanas eu não escrevo por aqui, mas provavelmente não é devido à falta de horas vagas - não, as minhas aulas na faculdade ainda não começaram -. Talvez seja porque eu não esteja tão predisposta a palavras. Então já podem adivinhar que eu pretendo ser breve.
No meu último relato literário, eu havia começado a ler Odes de Ricardo Reis, mas acabei abandonando temporariamente o empreendimento - minha inclinação ao lirismo foi interrompida quando um não sei quê de metafísica apareceu nos poemas -. Iniciei, portanto, a leitura de Macbeth, de William Shakespeare, para sanar minha vontade de ler peças. No período fiz também novas aquisições: Claro Enigma e Sentimento do Mundo, ambos de Carlos Drummond de Andrade, obras que se tornaram irresistíveis pra mim na prateleira de uma livraria porque são as primeiras que eu encontro do poeta; e Os sentidos da paixão, uma coleção de vários autores que me chamou a atenção por trazer análises literárias, e para tanto fui inspirada devido à recente visita de uma prima que cursa Letras na UFSC. São mais alguns títulos que me acompanharão na mochila para a UFRGS.
Por falar em faculdade, as minhas aulas - que deveriam ter iniciado no dia seis deste mês - foram atrasadas por motivo de uma greve dos docentes de instituições federais em todo o país. Como na maioria das vezes, a razão é o incremento salarial, o que é muito justo. No entanto, essa paralisação afetará o calendário acadêmico e as aulas poderão se estender até janeiro. Eu talvez não me importasse de estudar mais uma vez no período festivo do final do ano - afinal, em 2011 passei pela mesma rotina rumo ao vestibular -, porém a ansiedade para começar a vida de universitária é grande. Espero que nas próximas semanas a situação se resolva.
Então, sinto que é hora de ir. Embora eu ainda esteja de férias, a rotina foi intensa nessa semana, e o cansaço cobra com juros.
Boa noite, anjos. Como sempre, bons sonhos.

domingo, 29 de julho de 2012

'É dor que desatina sem doer' ♪

"É esquisito ter lembranças de coisas que ainda não aconteceram[..]"
Chico Buarque

Ao som do meu poeta, descanso. Recupero as forças que foram deixadas pelo caminho em sorrisos e que foram agradecidas com acenos.
Escrevo porque as mãos têm sede das palavras e de uma conversa como há muito tempo. Escrevo porque o correio nem sempre chega na hora e a telepatia atrasa, porque tenho cinco minutos que ficarão em aberto hoje.
Tenho frases curtas. Sem justificativa. Talvez seja a paciência, mas tenho paciência; talvez seja o frio, mas o dia foi ensolarado hoje. Mais uma vez (Eu sei ) não sei.
Concluí ontem à noite a leitura de Leite Derramado, obra de Chico Buarque. No livro, o narrador-personagem no final de sua vida remonta as memórias e nos apresenta a decadência que guiou gerações de sua família - do avô que frequentava o palácio do Imperador ao neto comunista, e talvez tantos outros - . É uma aventura embarcar na mente do personagem e viajar pela história do Brasil através da brisa do mar nas praias cariocas e do som da televisão na casa de repouso. Iniciei no mesmo dia a leitura de Odes de Ricardo Reis, outro heterônimo de Fernando Pessoa. Sigo feliz com meu lirismo.
Vou escrever um pouco no papel agora, porque não sei para onde ir. Então imagino lembranças de coisas que ainda não aconteceram.
Boa noite, anjos. Bons sonhos.

"Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida."
Leite Derramado, pg 184

quarta-feira, 25 de julho de 2012

I can't hide, I can't hide, I can't hide ♪

"Tempo é uma coisa engraçada. Estamos sempre pensando nas coisas que devemos ou queremos fazer, ou pensando nisto ou naquilo que aconteceu há certo tempo e, quando nos damos conta, ele já passou por nós, deixando lembranças e aprendizado."
Rachel Esteves Soeiro, Diário de Bordo, Parte 8 - Guidam Roumdji, 9 de janeiro de 2012


O tempo é de fato engraçado... Prega peças na gente, primeiro porque ele parece existir só mesmo nas nossas mentes. Um dos maiores desejos do homem é poder viajar completamente - não apenas na imaginação - entre o passado e o futuro. Entretanto, alguém me explica, por favor (Enquanto a vida vai e vem ♪), o que é esse espaço limite entre uma série de reações? Nossos ancestrais o mediam de acordo com o sol ou com as necessidades fisiológicas, e nós aprendemos a compassá-lo nas batidas de uma máquina que se chamou relógio.
Três anos, três minutos, três segundos... Três pontos. Quem diria que as ações nesse tal tempo pudessem ser tão importantes. É o necessário pra sentir falta, conhecer a saudade e o querer bem, subir e descer escadas, ter ideias, correr maratonas e de repente acabar, parar no tempo. Queremos viver pra sempre, postergamos a respiração até não aguentar mais o instante, mas muitas vezes nos esquecemos de entregar a vida a todo momento a coisas que valem a pena - a pena, o corante, o tinteiro por completo -. Acontece que é fácil esquecer que, no final, o tempo está no pensamento.´
Difícil é quando parecem haver tantas certezas. E quando, de repente, após fechar os olhos e mesmo assim ver, algumas ainda continuam ali e incomodam de tanto se redobrarem em si mesmas.

Boa noite, meus anjos. Vocês são sempre minhas certezas. Bons sonhos.