Hoje o clima está ótimo, o meu preferido. Inverno com gosto de infinito, sol que aquece a madeira, vento com textura de abraço. Dias como esse fazem com que eu me sinta em casa na rua; com que eu me reconheça nas músicas, nos livros, nas calçadas, nas paredes dos prédios; com que eu, me perdendo, me encontre mais perfeitamente.
Depois de algumas variações entre dia e noite, eu já sentia falta de escrever e dos vícios de linguagem. Já até perdi a conta dos meus boletins literários por aqui... Terminei há cerca de um par de semanas a leitura de Ensaio Sobre a Cegueira, e tenho boas recomendações sobre este, em especial. Daquele momento em diante, um exemplar da autoria de Lya Luft tentou sem sucesso encontrar seu espaço nas minhas mãos; começo a achar que essa incompatibilidade foi uma questão de natureza. Entretanto, uma edição com sonetos de Camões foi escolhido a dedo e ganhou lugar na mesa de cabeceira, o que satisfez a minha parcela lírica, que reclamava espaço como criança mimada nos últimos dias.
Continuo ansiosa para o início das aulas na UFRGS, como não poderia deixar de ser. Uma das melhores coisas de começar a estudar no segundo semestre - excetuando os pontos não tão bons.. - é a expectativa. Ela e o tempo ocioso do qual desfrutamos tornam a felicidade ainda maior - somos 'bixos' pelo que parece uma eternidade -, e isso é ótimo!
Vagarosamente cai a noite. Como caem as estrelas cadentes ou como os aviões se parecem quando vão ao encontro do pôr-do-sol.
Boa noite, anjos. Bons sonhos.
"[...] Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."
Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
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