sexta-feira, 1 de junho de 2012

'Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz' ♪

"Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência de luz, que o que chamamos cegueira era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás do seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas e seres, tornando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis." Ensaio sobre a Cegueira

Nessa semana concluí a leitura de Renato Russo: O Filho da Revolução, de Carlos Macedo. Embora o livro não seja como eu imaginara, foi uma experiência bem interessante. O foco abordado pelo escritor é, na maior parte, o contexto no qual se desenrolou a vida de Renato Manfredini Jr. - a opressão da ditadura e o grito de libertação da juventude brasiliense, entre outros -, o que nos permite novas interpretações até mesmo para o lirismo de suas canções.
Como nos últimos anos se tornou rotina, logo fui em busca de outro par de folhas no qual acomodar o marca-páginas. Acho que não vou me reconhecer mais quando não estiver envolvida em alguma leitura; pensando melhor, nem mesmo me lembro quando foi a última vez em que eu me vi livre de algum compromisso literário. Retomando o ponto, escolhi entre os exemplares da fila uma edição de Ensaio sobre a Cegueira, da autoria de José Saramago. Esse é um livro que eu adquiri ainda na feira do livro do ano passado e que eu espero ansiosamente por ler desde que assisti ao filme homônimo. A adaptação cinematográfica foi tema de um trabalho escolar e a considero bastante impactante, não apenas pelo enredo, mas pelas emoções que a brilhante direção de Fernando Meirelles nos proporciona. Sei que muitas pessoas podem não partilhar da mesma opinião; entretanto, foi um filme que mexeu comigo. Desse modo, acredito que o livro será uma 'viagem' recompensante. Como o escrito na contracapa, 'José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto [...]'.
Fui vítima nessa quinta-feira da fúria da janela aqui de casa, que caiu em cima dos meus dedos enquanto eu a trancava. Senti uma dor terrível no momento, mas, por ora, as marcas roxas e o inchaço leve são as lembranças mais perceptíveis do acontecido. Nada quebrado, felizmente. É claro, também ficou bem gravada a anotação mental: prender bem as vidraças antes de fechar a janela!
Hoje tomei a primeira xícara de café 'preto' que eu não rejeitei de prontidão - nem logo após o primeiro gole -. O líquido escuro que das outras vezes era amargo ganhou gosto de companhia com humildade e coração aberto; gosto de amizade pura.
Às vezes tenho o coração doído por não poder estar onde ele - quanto poder a uma víscera! - deseja, por não poder estar em todos os lugares nos quais ele deseja. Nesses momentos tenho vontade de estraçalhá-lo em pedaços e entregá-lo como presente que supra minha ausência. Entretanto, sei que o amor precisa dele inteiro, não em pedaços; necessita de uma cesta inteira, não de alguns retalhos. Então jogo com o tempo - aquele que está somente no pensamento - e faço o melhor que esse senhor me permite. Por isso, embora me contraia em dor nesses instantes, guardo o coração íntegro para estar sempre disponível a mais e inteiramente.

Boa noite, anjos. Bons sonhos.

2 comentários:

  1. Saramago está entre meu escritores favoritos. É sempre uma boa pedida para compromissos literários. Li dois levros dele, ambos para a faculdade. "Jangada de pedra" e "Memorial do convento" foram, mesmo que de forma obrigatória, experiências narrativas inesquecíveis. Há mais um, em minha estante, à espera de leitura. "Ensaio sobre a lucidez" é uma obra pela qual anseio há muito por consumir.

    O café preto faz parte de minha rotina. Uma dose quente, pura e forte dessa bebida é o que me faz começar bem o dia.

    Abraço.

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    1. O título de 'Ensaio sobre a lucidez' chama muito a atenção. Eu comecei a leitura de 'História do Cerco de Lisboa' no último ano, mas, como estava envolvida com outros assuntos referentes ao vestibular, não conseguir concluí-la. Saramago tem um estilo muito interessante de escrever, e, aos poucos, a pontuação diferenciada, que antes parecia um desafio para seus leitores, torna-se mais fácil de ser interpretada.

      Sinto que em breve, com o início das aulas na faculdade, o café preto será rotina pra mim também. Ainda não pretendo me aventurar em uma xícara dele puro, mas talvez aos poucos se faça necessário. Eliminado em doses graduais, o açúcar já não faz tanta falta.

      Abraços.

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