quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

'Volta voando (vinda do alto), derrete o chumbo do céu' ♪

Não foi por acaso que tem sol hoje. Tem um céu feliz, sem nuvens. Mas eu gosto das nuvens, mas elas não estão lá, mas eu gosto da chuva, mas eu gosto do arco-íris, e eu gosto do sol de novo.
(Re)Comecei a natação ontem. Lembrei como faz, como não respirar a água. Talvez na aula de sexta eu reaprenda as braçadas que já eram complicadas antes. Acho que se eu correr antes vai ser um bom aquecimento, se não chover.
Amanhã vai ser o terceiro dia consecutivo que vou na escola estudar desde as 8, cedinho. Mas é quase proveitoso o pequeno espaço de tempo que fico lá sozinha, porque consegui terminar de ler uma coletânea da Cecília Meireles. Ela escreve de um jeito maravilhoso, inigualável (não que outros não sejam sem comparação também, cada um a sua maneira), maravilhoso. Vale realmente a pena ler seus poemas, ou poesias. Um dia eu aprendo a diferença. Mas esses dias têm me deixado cansada, um pouco. Acho que era a parte psicológica, possivelmente.
Voltei pra casa. Quase. Um dia desses eu me encontro de novo, logo.
Acabei de descobrir que perdi dentro de casa a câmera com as fotos das vaquinhas da Cow Parade. Isso me dá um desespero imenso. Vou procurar até que ache, nem que me custe dias.
Tive sonhos bons essa noite, acordei com um sorriso leve, que ainda agora volta como se tivesse acabado de abrir os olhos. Acho que estou ficando paranoica de novo.
Tecnicamente, 'paranoia' se origina do grego (esse idioma maravilhoso), e é caracterizada por um delírio crônico, lúcido e sistemático, dotado de uma lógica interna própria. Mas o resto da definição não me cabe. Melhor parar por aqui, porque assim fica até bonito.
Descobri hoje que a Cássia Eller morreu. Me avisaram tarde, hein!? Li também que quando ela estava grávida do filho Francisco, o pai da criança morreu. Parece uma outra história que li em algum lugar.
Eu acho bem divertido conjugar os verbos na segunda pessoa do singular. Tu. Parece tão pessoal, tão direto, tão lindo.
Quase tive um colapso ouvindo Sete Cidades hoje. A música é muito bonita. Mas eu queria a letra de uma versão acústica que achei. O final é em inglês, e faltam umas três palavras para que eu posso concluir a frase.
Agora vou, com uns versos da Cecília.

'E o passarinho perguntava:
"Lembras-te da tua voz devolvida pelo eco?"

E eu me lembrava, mas não das palavras,
só que as respostas eram sempre incompletas.

E o recorte da montanha, no horizonte,
lembras-te como era azul e negro? E as palmeiras?
E as sebes de flores encarnadas?

E eu me lembrava de tudo, sentia o aroma da tarde,
e o canto das cigarras, e o lamento dos sabiás
e das rolas,
e via brilhar a bola azul do telhado, que amei tanto,
e sentia, tão doce, a minha perpétua solidão.

E perguntei ao pássaro: "Onde estavas,
para me perguntares tudo isso?
Também já viveste tanto?"

E ele me respondeu: "Não, tudo isso está no fundo dos teus olhos.
E só vou perguntando o que estou lendo...
E, porque o leio, canto." '

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