quarta-feira, 7 de março de 2012

'Como o tempo vai e o vento vem' ♪

Escrevo como quem revolve um corte no peito, de forma dolorosa; como quem remove resíduos de arma de fogo, por necessidade; como quem sutura um ferimento nas próprias costas, sem saber muito onde ir, apenas sabendo que está lá. Inspiro como se o coração fosse puxado pra cima; bebo água como se houvesse um estrangulamento na garganta; forço as palavras para que fujam como sangue e curem como a sangria.
Baixo os olhos a fim de encontrar braços mais fortes que os meus. Prendo os meus próprios braços no corpo para que ele permaneça inteiro. Espero como quem espera abrirem uma tampa na pele, para expirar.
Espero, e não é fácil. Escrevo como quem prende os pensamentos para libertá-los.

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