'Que vontade de fazer uma coisa errada. O erro é apaixonante.'
Palmas Clarice. Conseguiu expressar exatamente o que eu sinto agora. É um ímpeto de não ficar, sair, correr contra o vento, liberdade. Ela mesma, dona de outras palavras que também cabem a hoje.
'Eu, como um guindaste, a lidar com um delicadíssimo átomo. Me perdoe, mosquitinho, me perdoe, não faço mais isso. Acho que devemos fazer coisa proibida - senão sufocamos. Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres.'
Comprei um Kinder Ovo agora há pouco. Pura nostalgia. Eu precisava sentir esse pedacinho doer em mim, só pra senti-lo. Era urgente. O brinquedo é um carrinho. Me disseram que nos últimos anos era mais fácil montá-los, e com razão.
'Sinto em mim uma violência subterrânea, violência essa que só vem à tona no ato de escrever.'
Me deixa ficar aqui, só mais cinco minutinhos. Só pra poder deixar essa saudade passar. O céu irradia uma luz laranja; tem umas flores crescendo no pátio; chove.
Me servem de consolo essas palavras. Mas momentaneamente. Meu outro poeta.
'Mas em mim, em minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto'
Terminando o que deveria ser um começo. Eu quero voltar, quero meu tempo, decidir de novo, deixar as coisas pra trás. Eu quero um novo erro, um único instante que, como sempre, separa.
Minha luz linda, por que inunda esse espelho? És por acaso uma energia que vai mandar esse barulho estridente embora? Ou és simplesmente a quietude? Eu sei formular o silêncio, mas agora os versos são o meu mundo, são o meu sonho, minha anestesia.
'Quando pequena eu rodava, rodava e rodava em torno de mim mesma até ficar tonta e cair. Cair não era bom mas a tonteira era deliciosa.'
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