quarta-feira, 9 de março de 2011

'And I stood at a distance to feel who you are, hiding myself in your eyes' ♪

Bom dia!(embora seja noite).
Acordemos hoje com o melhor sorriso - pode ser amanhã também, todos os dias! -. Afinal, o mundo precisa de um cumprimento assim bom sempre, e faz um bem gigante. Então, por que não nos brindarmos com uma risada agora? É tão mais confortável que a velha capa de problemas, sonhos que não foram, tempo que passou, e sem dúvida muito mais leve.
Ontem foi o Dia Internacional da Mulher, e não deixei os parabéns aqui, nem mesmo fiz menção, acho que por descuido. Achei uma crônica da Martha Medeiros bem interessante. Mas antes, um minuto (ou melhor, um parágrafo).
Terminei essa tarde o livro Coisas da Vida, reunião de crônicas publicadas pela Martha entre 2003 e 2005 nos jornais O Globo e Zero Hora, e posso dizer: na última página, fiquei com sede de mais palavras, diferente do que acontece com um bando de títulos por aí, que as pessoas terminam já cansadas. Talvez tenha sido seu estilo de escrever ou meu estado de espírito, mas a qualidade dos textos é indiscutível. Espero que todos por aí arrumem um tempinho, um dia, para essas preciosidades.
Agora sim, dando continuidade aos assuntos, a homenagem (ha, de repente só as mulheres entendem algumas partes), como deveria ser.

Bonitas mesmo

"Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.

Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.

Caminhando pela rua, sol escaldante, a manga da blusa arregaçada, a nuca ardendo, o cabelo sendo erguido num coque malfeito, um ar de desaprovação pelo atraso do ônibus, centenas de pessoas cruzando-se e ninguém enxergando ninguém, ela enxuga a testa com a palma da mão, ajeita a sobrancelha com os dedos. Perfeita.

Saindo do banho, a toalha abandonada no chão, o corpo ainda úmido, as mãos desembaçando o espelho, creme hidratante nas pernas, desodorante, um último minuto de relaxamento, há um dia inteiro pra percorrer e assim que a porta do banheiro for aberta já não será mais dona de si mesma. Escovar os dentes, cuspir, enxugar a boca, respirar fundo. Espetacular.

Dentro do teatro, as luzes apagadas, o riso solto, escancarado, as mãos aplaudindo em cena aberta, sem comandos, seu tronco deslocando-se quando uma fala surpreende, gargalhada que não se constrange, não obedece à adequação, gengiva à mostra, seu ombro encostado no ombro ao lado, ambos voltados pra frente, a mão tapando a boca num breve acesso de timidez por tanta alegria. Um sonho.

O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora"

Martha Medeiros

Para quem chegou até aqui, merece uma despedida (não que eu goste dessa palavra, prefiro 'até mais!') especial.
Boa noite meus anjos maravilhosos, bons sonhos.

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